Marilyn Monroe: 100 anos de um ícone que Hollywood nunca deixou morrer
Um século após seu nascimento, a atriz continua presente no cinema, na moda e na cultura popular
Em 1º de junho de 1926, nascia em Los Angeles, Norma Jeane Mortenson, que o mundo conheceria posteriormente como Marilyn Monroe. Cem anos depois, seu nome permanece associado a uma das imagens mais reconhecíveis da história do cinema.
Atriz, modelo e cantora, Marilyn construiu uma carreira relativamente curta, mas suficiente para transformar sua imagem em um dos maiores símbolos da cultura popular do século XX.
Norma Jeane teve uma infância marcada pela instabilidade. Passou por lares adotivos e instituições e não teve uma convivência familiar estável. Aos 16 anos, casou-se com James Dougherty, em 1942, em uma tentativa de evitar que fosse novamente encaminhada para um orfanato.
A mudança de rumo veio durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto trabalhava em uma fábrica, Norma Jeane foi fotografada por um fotógrafo que visitava o local. As imagens ajudaram a iniciar sua carreira como modelo e, posteriormente, abriram as portas de Hollywood.
Em 1946, ela assinou contrato com a 20th Century Fox. O estúdio ajudou a transformar Norma Jeane em Marilyn Monroe, nome que se tornaria mundialmente conhecido. A mudança envolveu muito mais do que um novo nome: cabelo loiro platinado, maquiagem, roupas, gestos e uma personalidade pública foram incorporados à construção de uma persona cuidadosamente elaborada pela indústria cinematográfica.
A ascensão de uma estrela
No início dos anos 50, Marilyn começou a ganhar espaço no cinema. Foi principalmente com ‘Niagara’, de 1953, que sua imagem como símbolo sexual de Hollywood se consolidou.
No mesmo ano, protagonizou ‘Gentlemen Prefer Blondes’, ao lado de Jane Russell. O filme apresentou uma das cenas mais famosas de sua carreira: ‘Diamonds Are a Girl’s Best Friend’. Vestindo um traje rosa criado pelo figurinista William Travilla, Marilyn combinou sensualidade, humor e glamour em uma apresentação que se tornaria uma das imagens mais reproduzidas da cultura pop.
A cena também demonstra a relação que Marilyn estabeleceu entre cinema e moda. Seus figurinos deixaram de ser apenas elementos narrativos e passaram a funcionar como símbolos independentes, ajudando a criar um código visual que seria retomado inúmeras vezes por artistas e designers.
Em 1955, veio outro momento fundamental: ‘The Seven Year Itch’, conhecido no Brasil como ‘O Pecado Mora ao Lado’. A cena em que o vestido branco de Marilyn é levantado pelo vento sobre uma grade do metrô tornou-se uma das imagens mais famosas do cinema. O vestido, também criado por William Travilla, passou a simbolizar o glamour e a sensualidade associados à atriz.
A mulher por trás da personagem
Apesar do sucesso, Marilyn não queria ser conhecida apenas pela aparência. Ela buscou estudar atuação e, em 1955, mudou-se para Nova York, onde passou a frequentar o Actors Studio. O objetivo era desenvolver seu trabalho como atriz e conquistar maior reconhecimento artístico.
No mesmo período, criou a Marilyn Monroe Productions, em parceria com o fotógrafo Milton Greene. A iniciativa representava uma tentativa de conquistar maior autonomia em uma indústria na qual os grandes estúdios tinham enorme influência sobre a carreira de seus artistas.
Seu trabalho em ‘Some Like It Hot’ também lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical, em 1960.
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Moda: quando o figurino se transforma em ícone
A influência de Marilyn sobre a moda é um dos aspectos mais duradouros de seu legado. Seu visual combinava elementos que passaram a ser associados ao glamour feminino dos anos 1950: cabelos loiros, batom vermelho, cintura marcada, vestidos justos, decotes e salto alto.
Entretanto, sua importância para a moda não está apenas nas roupas que usou, mas na maneira como cinema, fotografia e figurino trabalharam juntos para construir uma imagem.
- O vestido rosa de ‘Gentlemen Prefer Blondes’
O vestido rosa usado na sequência de ‘Diamonds Are a Girl’s Best Friend’ é um dos exemplos mais conhecidos.
Criado por Travilla, o vestido foi pensado para destacar a silhueta de Marilyn e, ao mesmo tempo, produzir uma imagem sofisticada e teatral. Com luvas longas, joias e salto alto, o conjunto combinava glamour e sensualidade.

A força da imagem foi tão grande que ultrapassou o filme.
Décadas depois, Madonna recriou diretamente essa estética no videoclipe de ‘Material Girl’, de 1984. A cantora aparece cercada por homens de terno, reproduzindo a estrutura visual da apresentação de Marilyn.
Isso demonstra como uma cena de cinema pode se transformar em uma referência de moda e, posteriormente, ser reinterpretada por outra artista.
- O vestido branco de ‘The Seven Year Itch’
Se o vestido rosa representa o glamour, o vestido branco representa a sensualidade cinematográfica.
Na cena de ‘The Seven Year Itch’, Marilyn está usando um vestido branco plissado quando uma corrente de ar provocada pelo metrô levanta a saia.
A fotografia daquela cena tornou-se tão famosa que muitas vezes a imagem é reconhecida mesmo por pessoas que nunca assistiram ao filme.

O vestido também demonstra como uma peça de roupa pode adquirir significado cultural próprio. Depois do filme, o modelo passou a ser imediatamente associado a Marilyn.
O episódio é importante para a história da moda porque mostra que o cinema não apenas registra tendências: ele pode transformar uma roupa em um símbolo.
- O vestido de “Happy Birthday, Mr. President”
Outro momento fundamental aconteceu em 1962, quando Marilyn se apresentou no Madison Square Garden para cantar “Happy Birthday” ao presidente John F. Kennedy.
Ela usava um vestido criado pelo figurinista Jean Louis. Feito para parecer praticamente uma segunda pele, o traje era coberto por cristais e tinha uma tonalidade próxima à da pele de Marilyn.
O resultado foi uma imagem extremamente diferente dos figurinos tradicionais de Hollywood.
O vestido era tão justo que parecia desaparecer sobre o corpo da atriz, criando a impressão de que ela estava coberta apenas por brilho.

A apresentação ajudou a transformar o traje em uma peça histórica da moda e da cultura popular. Décadas depois, ele continuaria sendo lembrado, estudado e reproduzido.
Marilyn influenciou diretamente a representação da feminilidade na moda e na publicidade. Sua imagem também ajudou a consolidar uma estética que continua sendo associada ao chamado Old Hollywood glamour.
Marilyn na arte
A transformação de Marilyn em ícone não aconteceu apenas durante sua vida. Após sua morte, sua imagem ganhou uma dimensão ainda maior.
Em 1962, o artista Andy Warhol produziu uma de suas obras mais famosas, o Marilyn Diptych, utilizando uma fotografia da atriz. A repetição do rosto de Marilyn em cores diferentes ajudou a transformar uma fotografia de celebridade em um símbolo da Pop Art.
A obra também revela uma mudança importante: Marilyn já não era apenas uma atriz. Seu rosto havia se transformado em uma imagem independente de seus filmes.
Essa transformação ajuda a explicar por que pessoas que nunca assistiram a uma produção de Marilyn ainda reconhecem imediatamente seu rosto.

Os últimos anos
A vida pessoal de Marilyn também esteve constantemente sob os olhos do público. Ela se casou três vezes: primeiro com James Dougherty, depois com o jogador de beisebol Joe DiMaggio e, posteriormente, com o dramaturgo Arthur Miller.
Seus relacionamentos, suas dificuldades pessoais e sua vida profissional foram amplamente explorados pela imprensa e, posteriormente, por biografias. Algumas histórias ganharam versões contraditórias ao longo das décadas, o que torna necessário distinguir fatos documentados de especulações posteriores.
Em 1962, Marilyn ainda era uma das maiores celebridades do mundo. Em maio daquele ano, sua apresentação de ‘Happy Birthday’ para o presidente John F. Kennedy se transformou em um dos episódios mais conhecidos de sua vida pública.
Poucos meses depois, sua trajetória chegaria ao fim.
Marilyn foi encontrada morta em sua casa, em Brentwood, Los Angeles, nas primeiras horas de 5 de agosto de 1962. Tinha apenas 36 anos. A causa oficial foi intoxicação aguda por barbitúricos, e a morte foi registrada como provável suicídio.
Sua morte provocou enorme repercussão e deu origem a diversas teorias sobre as circunstâncias do episódio. Muitas delas continuam circulando, mas não substituem a conclusão oficial e permanecem objeto de controvérsia.
100 anos depois
Em 2026, Marilyn Monroe completaria 100 anos. O centenário oferece uma oportunidade para olhar novamente para uma personagem que foi, ao mesmo tempo, mulher, atriz, celebridade e construção da indústria cultural.
Sua trajetória revela as contradições de Hollywood: uma indústria capaz de transformar uma jovem em uma estrela mundial, mas também de reduzir sua identidade a uma imagem cuidadosamente construída.
Marilyn queria ser reconhecida como atriz. Queria controlar mais sua carreira. Estudava atuação e literatura. Ao mesmo tempo, sua imagem de símbolo sexual tornou-se tão poderosa que acabou ultrapassando sua própria obra.
É justamente essa contradição que mantém Marilyn Monroe relevante um século depois de seu nascimento.
Mais do que uma estrela de Hollywood, Marilyn Monroe tornou-se uma linguagem visual. Seu cabelo, sua maquiagem, seus vestidos e sua maneira de se apresentar passaram a significar uma determinada ideia de glamour.
Cem anos depois de seu nascimento, essa diferença continua sendo uma das chaves para compreender por que sua imagem permanece tão presente, e por que a história de Marilyn Monroe ainda está longe de terminar.
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