“Quero continuar vivendo mesmo depois da minha morte.”
Durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2026 foi realizada uma entrevista que chamou a atenção das redes sociais ao abordar uma opinião polêmica de uma leitora. Em um vídeo publicado no TikTok, uma influenciadora perguntou quais foram os piores livros lidos pela jovem durante o evento.
Entre as respostas, ‘O Diário de Anne Frank’ foi apontado como a pior leitura. Ao justificar a escolha, a entrevistada afirmou que considerava que Anne Frank “se vitimiza”. O vídeo rapidamente repercutiu nas redes sociais.
A declaração provocou manifestações de leitores, historiadores e instituições ligadas à preservação da memória do Holocausto. O Museu do Holocausto e a Federação Israelita se posicionaram sobre o episódio, destacando a necessidade de considerar o contexto histórico em que o diário foi escrito e a falta de empatia com uma vitima da tragedia nazista. O Museu ressaltou que o relato de uma vítima não precisa apresentar uma narrativa de superação ou uma imagem idealizada de quem passou por uma perseguição.
Apesar da repercussão, a discussão também levanta uma questão sobre a própria experiência de leitura. É possível que um leitor não goste de uma obra, inclusive de um livro considerado um clássico. No caso de ‘O Diário de Anne Frank’, porém, compreender o contexto em que o texto foi produzido ajuda a entender por que a obra ultrapassa a dimensão de uma simples narrativa literária.

Quem foi Anne Frank?
Anne Frank foi uma adolescente judia que viveu durante a Segunda Guerra Mundial. Nascida na Alemanha, ela e sua família se mudaram para a Holanda depois que o regime nazista começou a perseguir os judeus. Com a ocupação nazista dos Países Baixos, a família passou a viver escondida em um espaço secreto, junto com outras pessoas.
Anne começou a escrever em seu diário aos 13 anos. Nele, ela contava acontecimentos do seu dia a dia, seus sentimentos, seus conflitos com a família, seus sonhos e também o medo causado pela perseguição nazista. Mesmo vivendo escondida e em uma situação de constante perigo, Anne continuava escrevendo e sonhando com o futuro.
Em 1944, o esconderijo onde Anne e as outras pessoas estavam foi descoberto. Todos foram presos e enviados p ara campos de concentração. Anne morreu em 1945, aos 15 anos, no campo de Bergen-Belsen. Seu pai, Otto Frank, foi o único dos moradores do esconderijo que sobreviveu.
Depois da guerra, Otto Frank publicou os escritos da filha. O Diário de Anne Frank acabou se tornando uma das obras mais conhecidas sobre o período do Holocausto e passou a ser lido por pessoas de diferentes países e gerações.

A importância do livro para a história
A importância de ‘O Diário de Anne Frank’ para a história está também no fato de ele apresentar o Holocausto a partir da perspectiva de uma adolescente que viveu aquele período. O diário ajuda a mostrar que, por trás dos números e dos acontecimentos registrados nos livros de História, existiam pessoas com famílias, sentimentos, medos e sonhos.
A obra também se tornou uma forma de preservar a memória das vítimas do nazismo. Por meio dos relatos de Anne, gerações posteriores puderam conhecer um pouco da realidade enfrentada por milhões de judeus durante a perseguição nazista. Por isso, o livro passou a ser utilizado em escolas e estudos sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto.
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Assim, a obra não é importante apenas por contar a história pessoal de Anne Frank, mas também por contribuir para que esse período da História seja lembrado e estudado. A permanência do diário entre leitores de diferentes gerações mostra como relatos pessoais podem ajudar a preservar a memória de acontecimentos históricos.
A polêmica da Bienal mostra que uma obra pode provocar interpretações diferentes entre seus leitores. Porém, no caso do diário de Anne Frank, conhecer o contexto em que ele foi escrito é fundamental para compreender que os relatos fazem parte da experiência real de uma adolescente que enfrentava perseguição, violência e medo por ser judia durante o regime nazista.
Mais do que contar a história de uma adolescente, o diário acabou se tornando também um registro histórico de um dos períodos mais trágicos do século XX.
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