Sustentabilidade e criatividade marcam trabalho de artesã no Pará
A paraense transforma vidro descartado em peças artísticas, unindo geração de renda e renovação.
Isabel de Almeida, de 56 anos, é designer de interiores e artesã vidreira há mais de dez anos, reutiliza o que seria descartado transformando em arte, na cidade de Igarapé-Açu, no Pará.
A relação com o vidro começou em 2012, durante a criação de uma peça decorativa. Desde então, o que antes era visto como um elemento comum passou a ocupar lugar de destaque em seu processo criativo, transformando-se em matéria-prima para a produção de peças que unem expressão artística e reaproveitamento.
De luminárias a biojoias, as peças surgem de forma natural, conforme a demanda do publico.
“Passaram a pedir peças menores, como pingentes e adornos, e assim o que antes não era o foco se consolidou como mais uma frente do meu trabalho, mantendo a proposta de transformar o vidro descartado em arte”, comenta Isabel.
Apesar do foco recente na produção de peças menores, a artesã planeja expandir significativamente sua atividade. Atualmente, o volume de vidro reaproveitado varia entre 50kg e 80kg por mês, podendo crescer conforme a demanda.
A meta é alcançar o reaproveitamento de 500 quilos mensais, objetivo que depende da aquisição de novos equipamentos e da ampliação da capacidade produtiva. Segundo Isabel, a matéria-prima necessária já está disponível por meio de diferentes fontes de coleta, o que evidencia o potencial de crescimento da iniciativa.

Transformação e técnicas de trabalho
A matéria-prima utilizada na produção é proveniente de diferentes fontes, acompanhando a expansão da iniciativa. No início, o vidro era obtido principalmente por meio de familiares e amigos. Com a crescente visibilidade do trabalho, o material passou a ser encaminhado por bares, restaurantes e moradores da comunidade.
O aumento das doações também evidencia uma mudança na conscientização sobre o descarte e o reaproveitamento do vidro, que passa a ser visto como um recurso com potencial de transformação.
“Hoje, além de garrafas, também uso vidro plano, como portas, janelas e sobras de marcenaria e indústria, ampliando as possibilidades de criação e reaproveitamento”, explica a artista.
A transformação do vidro em peças artesanais exige conhecimento técnico e constante aprimoramento. Ao longo de sua trajetória, a artesã investiu em capacitações e especializações, incluindo cursos realizados em ateliês no exterior. Atualmente, seu trabalho se concentra em duas técnicas principais: o entalhe e a vitrofusão.
O entalhe permite cortar, esculpir e modelar o vidro sem a necessidade de forno, enquanto a vitrofusão utiliza altas temperaturas para fundir o material e criar novas formas. O resultado são peças que combinam precisão técnica, criatividade e experimentação artística.
Mais do que produzir peças artesanais, o trabalho desenvolvido por Isabel carrega uma mensagem de sustentabilidade e reaproveitamento. Para ela, o vidro descartado não deve ser visto como um resíduo sem utilidade, mas como uma matéria-prima capaz de ganhar novos significados e funções.
Ao transformar esse material em objetos artísticos e utilitários, a artesã contribui para a redução de resíduos e para a preservação de recursos naturais, ao evitar a extração de novas matérias-primas. A atividade também se consolidou como uma importante fonte de renda, unindo geração de valor econômico e responsabilidade ambiental.
“O meu trabalho mostra que é possível transformar o vidro de descarte em arte. Além de reduzir resíduos, ele também sustenta a mim e minha filha, então é uma forma de cuidar do meio ambiente e da nossa própria vida”, diz Isabel.
Para conferir os produtos que a artesã fabrica, acesse @ato_dois
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