TINN lança novo álbum ‘Desvarios em sextas-feiras à noite’ e entra em nova fase dark
Novas músicas retomam a estética apresentada em ‘Monstro’
Conhecido nas redes sociais por ‘entrar de fininho’ em músicas de outros artistas e criar novos versos que se complementam às faixas originais, o cantor e compositor TINN apresenta agora um novo capítulo de sua trajetória. Em seu novo álbum, ‘Desvarios em sextas-feiras à noite’, o artista mergulha em uma estética mais sombria, retomando elementos já apresentados em outras músicas.
Com um total de dez faixas, o álbum passeia por diferentes sonoridades, indo de arranjos instrumentais ao techno, pop e rock, sem abandonar características que já fazem parte da identidade musical construída pelo cantor junto aos fãs e seguidores.
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A mudança também aparece no visual. Depois dos cabelos coloridos que acompanharam a estética de seu álbum anterior, ‘antiSOCIAL’, TINN entra de vez no black and blue e adota referências mais próximas do gótico e do punk. O rock, no entanto, continua presente nos detalhes, tanto na imagem quanto nas escolhas musicais.
Cada faixa ajuda a construir essa nova fase do artista, transitando entre melancolia, ansiedade, obsessão, despedidas e relações intensas.
Um sinal – 4’36’’
Abrindo o álbum com uma sonoridade instrumental, ‘Um sinal’ apresenta uma melancolia que combina com a proposta estética dessa nova fase de TINN.
A letra trabalha a vontade de desaparecer diante dos acontecimentos da vida, ao mesmo tempo em que existe a espera por ‘um sinal’ capaz de indicar um caminho para seguir em frente depois de um término difícil. O sentimento de caos acompanha a narrativa e reforça a dificuldade de deixar determinadas experiências para trás.
A faixa começa de maneira suave e ganha intensidade aos poucos, sem abandonar a presença dos instrumentos ao fundo. O resultado é uma abertura emotiva e delicada, que introduz bem a atmosfera do disco.
Tão perto – 3’54’’
Diferentemente da faixa anterior, ‘Tão perto’ já apresenta uma sensação de retomada e força. A música mostra alguém que, mesmo destruído internamente e ainda perdido, tenta reconhecer o próprio poder e aquilo que se tornou depois das dores vividas.
Existe uma contradição interessante na letra: a dor fortaleceu esse personagem, mas não necessariamente o fez encontrar um caminho.
Musicalmente, a faixa também ganha mais energia. Com referências ao pop rock e batidas mais marcadas, o álbum começa a deixar a suavidade instrumental da abertura para entrar em uma atmosfera mais agitada.
Sol vai me atormentar – 3’39’’
‘Sol vai me atormentar’ retorna a um sentimento mais profundo e inquietante. A letra aborda culpa e consequências de decisões passadas enquanto a produção transmite uma sensação constante de aceleração.
A combinação entre batidas eletrônicas e elementos mais intensos cria uma atmosfera próxima da ansiedade, como se os pensamentos estivessem acontecendo ao mesmo tempo e sem espaço para descanso.
É uma música que parece conduzir o ouvinte para dentro da mente de quem está narrando a história, mergulhando em pensamentos cada vez mais profundos sem abandonar a estética pop punk presente no projeto.
O pesadelo do brother Noé – 3’16’’
Com uma proposta diferente das primeiras músicas, ‘O pesadelo do brother Noé’ mistura sons de cordas com uma produção mais calma e até um leve toque de ‘sofrência’.
A faixa se distancia momentaneamente da intensidade apresentada anteriormente e cria uma pausa dentro do álbum, ainda que permaneça conectada ao universo mais sombrio do projeto.
A letra assume um tom sentimental e parece retratar uma despedida forçada, daquelas que acontecem antes que alguém esteja realmente preparado. O título e a letra ainda brincam com a história bíblica de Noé, criando um trocadilho que se encaixa de forma interessante na narrativa da música.
Psycho – 2’59’’
Retomando uma sonoridade mais eletrônica, ‘Psycho’ aborda uma relação marcada por manipulação, controle e instabilidade emocional.
A narrativa apresenta a perspectiva de alguém que percebe ter sido usado por outra pessoa, carregando depois as angústias e consequências dessa relação.
A própria escolha do título reforça a sensação de estar preso a alguém que se aproxima, utiliza os sentimentos do outro em benefício próprio e, no fim, simplesmente o descarta.
Acaba comigo – 3’02’’
Com batidas que remetem à estética dos anos 80, ‘Acaba comigo’ aumenta novamente o ritmo do álbum. A produção cria uma sensação de movimento constante, quase como se o ouvinte estivesse correndo para fugir de algo, ou justamente indo ao encontro de alguém.
Essa urgência também aparece na letra, especialmente em trechos que reforçam uma relação de dependência.
A música explora uma espécie de obsessão amorosa: permanecer ao lado de alguém mesmo quando isso causa sofrimento, colocando os sentimentos da outra pessoa acima dos próprios e transformando o relacionamento em necessidade.
Doeu em mim (pior do que em você) – 3’01’’
Voltando para uma sonoridade mais próxima do pop, ‘Doeu em mim (pior do que em você)’ aborda o reencontro com um antigo amor depois de muito tempo.
A narrativa ganha ainda mais peso quando esse reencontro acontece após uma das pessoas já ter seguido em frente com alguém novo, depois de anteriormente pedir tempo por ‘não estar pronta’ para aquela relação.
Apesar do tema melancólico e da estética mais dark que atravessa o álbum, as batidas tornam a faixa mais leve e até divertida em alguns momentos, criando um contraste interessante entre letra e produção.
Parasites – 1’22’’
Mesmo sendo a faixa mais curta do álbum, ‘Parasites’ é uma das que mais chama atenção.
TINN foge do padrão apresentado até aqui e entrega a única música inteiramente cantada em inglês. Ainda assim, a faixa consegue permanecer dentro da identidade construída ao longo do disco e contribui para a narrativa do projeto.
A escolha também chama atenção por atender a um pedido recorrente de parte do público do artista nas redes sociais: ouvir TINN cantando em inglês.
A uma ligação – 3’28’’
Começando com referências eletrônicas e depois incorporando acordes mais suaves, ‘A uma ligação’ apresenta uma atmosfera um pouco mais leve.
Aqui, o amor parece estar mais próximo e possível. Existe a sensação de saber que aquilo que se procura está em algum lugar ao alcance, ainda que chegar até ele não seja necessariamente fácil.
A faixa mantém a personalidade musical de TINN ao misturar elementos que já aparecem em outros trabalhos com a estética techno explorada neste álbum. O resultado combina bem com o próprio título do projeto: um verdadeiro desvario musical.
Os anos que você tirou de mim – 3’20’’
Para encerrar o álbum, TINN surpreende ao começar ‘Os anos que você tirou de mim’ com uma sonoridade que flerta com a bossa nova, marcada por acordes mais leves e uma interpretação melancólica.
É uma escolha que se aproxima do lado mais sentimental do cantor, característica já conhecida por quem acompanha suas composições.
Mas o encerramento não permanece calmo por muito tempo. Nos últimos segundos, elementos de rock ganham espaço, enquanto TINN aumenta a intensidade da voz. A música cresce junto com a interpretação e encerra o álbum em um ponto mais explosivo, retomando algumas das características mais marcantes do artista.
Reflexão sobre a nova fase
‘Desvarios em sextas-feiras à noite’ representa, de fato, uma nova fase para TINN. É um projeto consideravelmente diferente daquilo que parte de seu público estava acostumada a ouvir, principalmente pela construção estética mais sombria e pela presença ainda maior de elementos eletrônicos, punk e rock.
Essa mudança também pode aproximar o cantor de novos públicos, sem necessariamente abandonar quem já acompanha seu trabalho.
Particularmente, o álbum não está entre os meus favoritos de TINN. Ainda assim, mantém o nível de dedicação que o artista costuma apresentar em seus projetos e mostra disposição para experimentar novas sonoridades e ampliar sua identidade musical.
Entre as surpresas do disco, ‘Parasites’ merece destaque. Além de ser a única faixa em inglês, ela quebra expectativas dentro do álbum e entrega algo que parte dos fãs já vinha pedindo nas redes sociais.
No fim, ‘Desvarios em sextas-feiras à noite’ não tenta repetir exatamente aquilo que TINN já fez. O álbum funciona justamente como uma experimentação: mais escura, caótica e intensa, mas ainda reconhecível para quem acompanha o artista.
Para ouvir o novo álbum de TINN, ‘Desvarios em sextas-feiras à noite’, basta clicar aqui.
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