Maior evento de apreciação da cultura drag envolveu São Paulo na Semana da Diversidade
Durante os dias 05 e 06 de junho, na Semana da Diversidade de São Paulo, a cidade recebeu a 1ª edição da DragCon Brasil, reunindo fãs e Drag Queens de diversos países no Expo Center Norte, no Pavilhão Amarelo.
Não só um simples evento, mas tão grandioso quanto uma Drag, a DragCon Brasil trouxe brilho, esperança e liberdade não apenas para as Drags de diversos países, mas também para o público que participou.
Com a proposta de valorizar a arte Drag, o evento trouxe a liberdade do público se vestir da sua forma, com grandes produções de looks coloridos, brilhantes e extravagantes, sempre valorizando a liberdade e o respeito presentes na comunidade LGBTQIAPN+.
Brasil continua surpreendendo
Com o comando das drags Grag Queen, ganhadora do Queen of the Universe e host do Drag Race Brasil, e Ikaro Kadoshi, apresentadora do Caravana das Drags, ao lado de Bruno Mota, host do ‘Gongada Drag’, o evento levou alegria e entusiasmo aos fãs presentes.
Grag Queen (Direita), Bruno Mota (Centro) e Ikaro kadoshi (Esquerda) – Guilherme Chinarelli
Com o primeiro desfile do Pink Carpet, Grag Queen e Ikaro Kadoshi foram as primeiras a abrir o desfile do maior evento de cultura drag do mundo, seguidas logo depois pela apresentação de todas as queens presentes no evento:
Ikaro kadoshi no Pink Carpet – Guilherme ChinarelliGrag Queen no Pink Carpet – Guilherme Chinarelli
Adora Black, Alexis Mateo, Bhelchi, Betina Polaroide, Brigiding, Charity Kase, Coco Montrese, Dallas de Vil, Desirée Beck, Diva More, Eureka!, Fontana, Gabanna, Gala Varo, Hellena Maldita, Horacio Potasio, Kate Butch, Kyran Thrax, Leexa Fox, Magnética, Melina Blley, Melusine Sparkle, Mercedez Vulcão, Miranda Lebrão, Morgana Cósmica, Naza, Organzza, Paola Hoffman Van Cartier, Pitita, Poseidon Drag, Precious Paula Nicole, Priyanka, Robin Fierce, Ruby Nox, Scarlett, Shannon, Taiga Brava, Tayce, Tristan Soledade e Xunami Muse.
Rubi Nox no Main Stage – Guilherme ChinarelliPitita no Main Stage – Guilherme ChinarelliOrganzza no Main Stage – Guilherme ChinarelliFontana no Pink Carpet – Guilherme Chinarelli
Para Priyanka, ganhadora da 1ª temporada do Canada’s Drag Race, a emoção é única:
“Quando as queens estavam andando e eu entrei, os gritos eram tão altos que fiquei: ‘Meu Deus, não posso acreditar’. É incrível. Eu amo o Brasil, não tem nada como os fãs do Brasil, eles me amam muito, eles amam muito minhas músicas, eu amo muito o Brasil, sou muito grata”, comenta Priyanka. Entrevista traduzida do inglês para o português do Brasil.
Entrevista com a ganhadora da 1ª temporada do Canada’s Drag Race, Priyanka
O brasileiro realmente tem uma mágica que não se explica. O carinho que o público tem pelos seus ídolos fica ainda mais evidente quando uma brasileira, chamada Fontana, forma uma fila de mais de 01h só para que o público possa conversar com essa representante da nossa nação, que foi vice-campeã do Drag Race Sverige e participante do Drag Race UK vs. The World.
Entrevista com a vice-campeã do Drag Race Sverige, Fontana
“Representar o Brasil é uma honra. Não importa quantos anos eu more fora do Brasil, a minha essência é brasileira, meu sangue é brasileiro, minhas raízes são brasileiras e ser brasileiro é bom demais. Então, representar nosso país e trazer a nossa cultura e nossa arte para os maiores palcos do mundo é uma grande honra e uma grande celebração”, explica Fontana.
DragCon Brasil não parou nem por um momento
Dividida em três palcos, ‘Main Stage’, ‘Extravaganza’ e ‘Eleganza’, a programação não deixou o festival parado nem por um instante. O evento levou conversas sobre consciência, liberdade e direitos da comunidade LGBTQIAPN+, além de concursos de ‘Lip Sync’, ‘bateção’ de cabelo com Marcia Pantera e Runway julgado pela Host do Drag Race Brasil.
Com os booths das queens, a diversão, o convívio e as trocas de gentilezas, o público pôde se conectar ainda mais com suas Drags favoritas, que antes só viam pelas telas do celular ou da televisão. A DragCon trouxe a oportunidade perfeita de unir esse amor e apresentar novas drags ao público.
Entrevista com a gnhadora da 2ª temporada do Drag Race Mexico, Lexxa love
“Estou feliz de estar aqui e conhecer o pessoal do Brasil. A verdade é que muita gente ainda não me conhece, mas eu espero, no futuro, vir aqui, porque os brasileiros ‘abraçam’ muito bem as drags que cantam, e eu sou uma drag queen que canta”, comenta Leexa Fox, ganhadora da 2ª temporada do Drag Race México. Entrevista traduzida do espanhol para o português do Brasil.
Os booths não ficaram somente nas drags. A DragCon Brasil trouxe estandes de apoiadores, patrocinadores e ativações, como o da ‘Gongada Drag’, onde o público podia conversar com o host Bruno Mota, interagir com as drags que participam do show e também tirar fotos no púlpito de ‘gongação’.
Outro booth que chamou a atenção da galera foi o da ‘Solara Editora’, que desenvolveu o jogo Drag Slay. Em parceria com a DragCon, a editora redesenhou o jogo apenas com as drags que participaram do evento. O mais incrível desse jogo, além de ser uma ‘competição’ para ver quem monta a drag primeiro, ele foi desenhado por uma drag, a ‘Titânia’.
Liberdade de expressão, respeito e desafios
Não é só mais um festival. É uma forma de liberdade de expressão, de mostrar cada vez mais que a cultura drag não é apenas para o público LGBTQIAPN+. É um festival que mostra que, com amor, respeito e dedicação, tudo pode acontecer.
Para Grag Queen, host do Drag Race Brasil e ganhadora do Queen of the Universe, o desafio não é apenas ser coroada e coroar outras queens, mas também ficar longe de sua mãe, alguém importante em sua trajetória e que estava presente no evento para prestigiar suas conquistas.
Entrevista com a participante da 1ª edição do Drag Race Brasil, Naza
“É muito mais do que importante… Como sempre falo também, participar de Drag Race, sendo muito fã da franquia, ter uma franquia brasileira, eu participar dela, e agora ter uma DragCon no Brasil, quer dizer que o Brasil está em destaque, que o Brasil está lá em cima. É a primeira DragCon na América Latina, então isso é muito importante, principalmente para a nossa cena drag aqui no Brasil”, comenta Naza, participante da 1ª edição do Drag Race Brasil.
O evento trouxe a oportunidade de mostrar ao mundo que o Brasil é, sim, uma grande potência de grandes talentos, com Drag Queens poderosas, determinadas e que correm atrás de seus sonhos. Essa 1ª edição da DragCon Brasil não é uma edição qualquer: é a que vai ficar na história como a primeira do país e a primeira da América Latina.