Mostra abre na Casa Seva com cerca de 20 obras inéditas
Conhecida internacionalmente por suas esculturas em cera vegetal e por instalações interativas de forte impacto sensorial, as Irmãs Gelli inauguram sua primeira exposição individual na capital paulista, no dia 07 de Março.
A mostra ‘Leva tempo, mas vai dar tempo’ acontece na Casa Seva, e reúne cerca de 20 obras inéditas que propõem uma reflexão sensorial sobre tempo, matéria e presença.
Pensada ao longo de todo o ano de 2025, a exposição marca um momento decisivo na trajetória de Alice e Gabi Gelli, que há cinco anos desenvolvem juntas uma pesquisa centrada na materialidade do tempo e na experiência do corpo em meio à virtualização da vida contemporânea. O título da mostra faz referência tanto ao processo lento de construção das obras quanto ao convite à contemplação em um mundo acelerado.
Segundo a curadora, Catalina Bergues, o tempo não aparece como tema ilustrativo, mas como parte constitutiva da própria matéria.
“Os acúmulos, os mergulhos sucessivos e a espera implicados no trabalho com a cera tornam visíveis camadas de um tempo que se deposita de forma processual”, afirma Catalina.
Matéria e processo
Produzidas majoritariamente em cera vegetal, especialmente a Ecomix, com menor índice de parafina, as peças revelam camadas translúcidas sobrepostas por meio de sucessivos mergulhos no material líquido. O processo exige repetição, paciência e atenção aos ritmos da própria matéria. O resultado são trabalhos de grande escala que evocam profundidade, suspensão e transformação contínua, em diálogo com fenômenos da natureza.
A sustentabilidade, eixo estruturante da pesquisa da dupla, atravessa não apenas o discurso, mas todo o processo de criação. Além da cera vegetal, as artistas utilizam plástico reciclado, como o material reaproveitado de faróis de carros em parceria com o projeto Arte 8 Reciclagem, e madeira de demolição.
“Criamos uma obra de sete metros de comprimento feita com 45 kg de plástico reciclado, equivalente ao consumo médio de 45 pessoas em um mês. Esse plástico deixa de ser lixo e passa a ser obra”, comenta Gabi.
Instalação viva e interação
Para a estreia paulistana, as artistas apresentam uma instalação performática de aproximadamente meia tonelada de cera, inspirada na formação de estalactites e estalagmites, estruturas que levam milhares de anos para se constituírem em cavernas. A obra será construída em camadas ao longo do período expositivo, em sessões abertas ao público, que poderá acompanhar sua transformação em tempo real. Criada em grande escala, a instalação convida o visitante a circular ao seu redor, intensificando a experiência corporal.
A mostra também traz obras cinéticas inéditas, cujas partes se deslocam horizontalmente, reforçando o convite à interação.
“Aprendemos desde crianças a colocar as mãos para trás em exposições. Quando convidamos o público a tocar e adentrar a instalação, ativamos todos os sentidos. Você sai mais calmo do que entrou”, afirma Alice.
Com trajetória consolidada no Brasil e no exterior, as Irmãs Gelli já realizaram individuais no Centro Cultural dos Correios (Rio de Janeiro), na Galeria Brisa (Lisboa) e na Lurixs (Rio de Janeiro), além de participações em mostras como a Semana de Design de Milão e a Jaguar Parade, em São Paulo e Nova York. Agora, com a primeira individual em São Paulo, o duo reafirma seu compromisso com uma arte que desacelera, convida ao encontro e transforma matéria em experiência.
A exposição ‘Leva tempo, mas vai dar tempo’, das Irmãs Gelli acontece de 7 de março a 18 de abril, com visitação de terça a sexta, das 11h às 18h; sábados, das 11h às 15h, na Casa Seva (Alameda Lorena, 1257, Casa 1 – Vila Modernista/São Paulo), com entrada gratuita
Fotos: Marcela Cure
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