‘O Verão das lanternas Celestiais’: A vida é muito breve para não amar
O sobrenatural pode proporcionar experiências extraordinárias a quem menos se espera viver
Uma obra que traz uma reflexão sobre o caráter passageiro da vida e as dificuldades de seguir em paz quando há assuntos inacabados
Takeru Hoshino é um jovem estudante que cresceu em um santuário xintoísta com seu pai, que é um sacerdote. Por isso, ele foi submetido a uma rotina e uma realidade que não lhe agradavam muito, já que diferentemente da maioria das pessoas de Aokigahama, Takeru não acreditava em nenhuma das lendas ou mitos que surgiam a partir de boatos.
Essa perspectiva passou a mudar com a chegada de dois alunos novos na sua sala: Hinata e Yoshiro, que, sem que Takeru imaginasse, lhe proporcionariam uma experiência que mudaria a forma como ele vê a espiritualidade e até mesmo os seres humanos, vivos ou mortos.
Takeru não tinha interesse em interagir com o sobrenatural, mas aparentemente o outro lado não pensava da mesma forma, o que fez com que cada vez mais ele se visse mergulhado na realidade que ele tanto tentou fugir ao longo dos anos. Entretanto, diferentemente de antes, agora ele não está mais sozinho; ganhou um amigo que, com o tempo, se tornou mais que isso.
Rompendo com seus próprios preconceitos, Takeru, pouco a pouco, se desprende do medo do que os outros vão pensar e se permite viver algo que o levaria a uma nova visão sobre amor, morte e as coisas inexplicáveis da vida.
Mesmo tratando de temas como luto e superação, a escrita consegue te levar levemente por entre as páginas misturando drama, comédia e um romance lento que te faz seguir cada indício com voracidade, sem contar as ilustrações espalhadas pelo livro que ajudam na imersão do leitor na história que faz questão de te submergir em uma realidade repleta de folclore japonês com muitos yuureis, um shikigami ciumento e lendas que ultrapassam o tempo e a morte por amor.
O livro te surpreende na entrada, te aquece na jornada e te despedaça na saída, sendo um lembrete vivo de que o amor é um conceito que não se limita à compreensão humana, mas se desdobra maleavelmente em favor das vítimas de suas flechas, ou algumas vezes, de um shakujo.
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